A adaptação live-action de Como Treinar o Seu Dragão (How to Train Your Dragon) chegou — não que alguém estivesse realmente implorando por ela — trazendo exatamente o que todos temiam: uma cópia cena por cena do filme animado de 2010, agora com menos charme, menos energia e, incrivelmente, ainda menos razão para existir. Essa é a estreia da DreamWorks Animation no mundo do live-action, com o diretor e roteirista original, Dean DeBlois, retornando para comandar a missão de… fazer tudo igual, só que menos interessante.

Dragões realistas: o único elogio possível
Se há algo que merece ser destacado (para não dizer “salvo”), é a transição de alguns dragões para o live-action. Pesadelo Monstruoso (Monstrous Nightmare), o famoso dragão vermelho que cospe fogo, ficou realmente impressionante. Pena que nem todos os dragões receberam o mesmo cuidado — mas quem se importa, não é? Afinal, a ideia aqui era apenas reproduzir o original em carne, osso e CGI.

Visual impecável, alma ausente
Visualmente, Como Treinar o Seu Dragão (How to Train Your Dragon) é, sem dúvida, deslumbrante. Os cenários realistas copiam o filme animado com precisão milimétrica, seja em locações reais, seja no bom e velho chroma key. Mas, sejamos sinceros: ninguém aqui está tirando o mérito dos efeitos visuais, só questionando para quê tanto esforço para fazer tudo igualzinho, sem trazer nada novo.
Gerard Butler: o único upgrade

Gerard Butler, o único ator do elenco original que voltou, entrega tudo como Stoick — tanto que, por momentos, quase esquecemos que estamos vendo um remake sem propósito. Se há algum “aperfeiçoamento” em relação ao original, está unicamente na atuação de Butler. O resto? Ficou no automático.
Piadas sem graça e personagens sem carisma
Todo o humor e pontos da história permanecem intactos. O problema? O que funcionava no mundo animado simplesmente morre no live-action. A energia, a irreverência e até as piadas que marcaram a animação viraram um desfile de cenas apáticas. As novas escolhas de elenco, na maioria das vezes, não convencem nem divertem. E convenhamos, se o objetivo era representar mais diversidade, colocar atores negros só como figurantes sem falas é, no mínimo, irônico.


Mudanças “criativas” também não ajudam: agora, Cabeçaquente (Ruffnut) e Cabeçadura (Tuffnut) deixaram de ser gêmeos de verdade e ganharam cabelos ruivos e diferenças físicas — por algum motivo que só o departamento de figurino explica. Julian Dennison até tenta dar vida a Fishlegs, mas o personagem quase nem aparece. Astrid, vivida por Nico Parker, perdeu toda a nuance original e foi reduzida a uma personagem antipática, enquanto Soluço (Hiccup) parece um adulto perdido ao lado de uma Astrid que aparenta ter metade da sua idade (embora na vida real, seja o contrário).

Um remake para quem nunca viu o original (ou esqueceu dele)
Reassistir aos filmes anteriores antes desse novo lançamento só torna tudo mais enfadonho. O live-action parece feito sob medida para quem nunca viu o original — ou para quem já esqueceu o quanto o filme animado era divertido e emocionante.
E nem dá para defender dizendo que a versão da DreamWorks tentou inovar. Ao contrário dos remakes da Disney, que ao menos fingem trazer alguma novidade, aqui a proposta foi ser um clone. Para quê? Talvez só Universal Studios e DreamWorks saibam (ou nem eles).
Um remake para encher os bolsos, não os corações
No fim das contas, Dean DeBlois e Universal Studios conseguiram pegar um filme que era mágico, emocionante e criativo e transformá-lo em uma réplica fria e sem carisma, onde a aventura de Soluço (Hiccup) e Banguela (Toothless) perde totalmente o brilho. O único objetivo parece ser agradar acionistas e garantir uma sequência já anunciada. Como diria um certo dragão, essa versão não tem fogo — só fumaça.

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